Você já se olhou no espelho e notou que a região inferior das suas pernas está com uma tonalidade diferente? Muitas vezes, o que começa como um leve escurecimento pode evoluir para manchas escuras e amarronzadas, especialmente na região dos tornozelos. Se você tem evitado usar roupas mais curtas por vergonha dessa alteração ou sente que a pele nessa área está ficando mais rígida e seca, saiba que isso não é apenas uma questão estética, e muito menos algo “normal da idade”.
Essas marcas são, na verdade, um sinal silencioso de que o seu sistema circulatório precisa de atenção. Na medicina vascular, esse fenômeno tem nome e sobrenome: Dermatite Ocre. Ela é um indicativo clássico de que o sangue que deveria retornar ao coração está encontrando dificuldades, ficando represado nas pernas e aumentando a pressão nas veias.
Neste artigo, vamos conversar de forma clara e detalhada sobre o que está acontecendo com o seu corpo. Como Dr. André Américo, cirurgião vascular com atuação focada no diagnóstico preciso e humanizado, meu objetivo é explicar a raiz desse problema e mostrar que, com a tecnologia certa e um olhar atento, é possível tratar a causa e devolver a saúde e a beleza das suas pernas.
O que são essas manchas amarronzadas? (O Conceito de Dermatite Ocre)
Para entender o surgimento dessas manchas, precisamos visualizar o que acontece dentro das suas veias. O nosso sangue é rico em células vermelhas (hemácias), que contêm ferro em sua composição (hemoglobina). Quando as válvulas das veias das pernas não funcionam corretamente — uma condição conhecida como Insuficiência Venosa Crônica — o sangue tem dificuldade para subir contra a gravidade.
Isso gera um aumento da pressão venosa, especialmente na região do tornozelo, onde a gravidade exerce maior força. Com essa pressão elevada constante, as veias se dilatam e suas paredes se tornam permeáveis. É como se a “tubulação” começasse a vazar microscopicamente. Glóbulos vermelhos escapam de dentro dos vasos para o tecido da pele e do subcutâneo.
Fora do vaso sanguíneo, essas células se rompem e liberam o ferro. Esse ferro se oxida e se deposita na derme, criando uma espécie de “tatuagem” interna de cor acastanhada ou ferrugem. É por isso que chamamos de Dermatite Ocre. Portanto, a mancha que você vê não é sujeira, nem apenas uma mancha de sol: é um depósito de hemossiderina (ferro) causado pela má circulação.
Sinais de alerta: não é só a cor que muda
Geralmente, as manchas escuras não aparecem sozinhas. Elas costumam vir acompanhadas de outros sintomas que muitos pacientes, infelizmente, ignoram ou se acostumam a sentir. Se você mora na região do ABC Paulista e tem uma rotina agitada, talvez não tenha parado para perceber, mas seu corpo pode estar dando outros sinais:
- Inchaço (Edema): As pernas ficam mais pesadas no final do dia, e o sapato pode ficar apertado.
- Coceira (Prurido): A pele manchada tende a ficar mais seca e irritada, causando uma coceira que, se coçada vigorosamente, pode abrir feridas.
- Endurecimento da pele: Com o tempo, a inflamação crônica causa uma fibrose, deixando a pele do tornozelo dura, parecida com madeira ou couro (Lipodermatosclerose).
- Varizes visíveis ou microvarizes: Nem sempre há cordões grossos saltados, mas muitas vezes há vasinhos ao redor da mancha.
É crucial entender que a mancha é o estágio visível de uma doença que está progredindo. Se não tratada, a pele fragilizada pode se romper espontaneamente ou por pequenos traumas, dando origem a uma úlcera venosa — uma ferida de difícil cicatrização que impacta severamente a qualidade de vida.
Por que o diagnóstico preciso é fundamental?
Muitos pacientes chegam ao meu consultório após passarem meses usando pomadas dermatológicas, cremes clareadores ou hidratantes potentes, sem ver melhora na cor da pele. Isso acontece porque o tratamento tópico, embora ajude na hidratação, não resolve a causa: a hipertensão venosa.
Para tratar as manchas, precisamos tratar a veia doente que está “vazando”. E para identificar qual veia é essa, o exame físico isolado não é suficiente. Aqui entra o diferencial da nossa abordagem.
No meu consultório, localizado próximo a áreas centrais como o Bairro Jardim em Santo André, fugimos da medicina de “linha de produção”. Acredito que a segurança do paciente mora nos detalhes. Por isso, realizamos o Eco-Doppler Colorido Venoso (ultrassom vascular) durante a própria consulta.
Isso permite que eu, Dr. André Américo, mapeie sua circulação em tempo real, identificando exatamente onde está o refluxo sanguíneo (o retorno inadequado do sangue). Pode ser uma veia safena insuficiente, uma veia perfurante incompetente ou varizes tributárias. Com o diagnóstico na hora, desenhamos um plano de tratamento personalizado, sem a necessidade de você se deslocar para clínicas de imagem externas e aguardar dias pelo laudo.
Tratamentos Modernos: Tecnologia a favor do seu bem-estar
Antigamente, o tratamento para problemas vasculares envolvia cirurgias agressivas, repouso absoluto e internações longas. Hoje, a realidade é muito diferente. Buscamos soluções que aliam eficácia técnica e recuperação acelerada, ideais para quem não pode parar sua rotina.
Uma vez identificada a veia causadora da pressão alta no tornozelo, podemos utilizar:
- Laser Endovenoso (Termoablação): Uma fibra de laser é introduzida na veia doente guiada por ultrassom, fechando-a através do calor. É um procedimento minimamente invasivo, sem cortes grandes e com retorno rápido às atividades.
- Escleroterapia com Espuma: Uma substância em forma de espuma é injetada na veia, causando seu fechamento. É excelente para tratar úlceras abertas ou veias tortuosas em pacientes que não podem ou não querem cirurgia.
- Laser Transdérmico: Para os vasinhos superficiais que nutrem a mancha, o laser aplicado sobre a pele ajuda a secá-los.
É importante ser transparente: a mancha escura (o depósito de ferro) pode não desaparecer 100% dependendo do tempo que ela está ali. No entanto, ao tratar a veia, interrompemos o vazamento de sangue. Isso impede que a mancha aumente, melhora a qualidade da pele, reduz o inchaço e elimina o risco de úlceras futuras. Em muitos casos, após o tratamento vascular, podemos associar tratamentos dermatológicos para clarear a pigmentação residual.
Fatores de Risco: Quem deve ficar atento?
A insuficiência venosa e a consequente Dermatite Ocre podem afetar qualquer pessoa, mas existem fatores que aumentam a predisposição. Se você reside em São Caetano do Sul ou arredores e se enquadra nos itens abaixo, a atenção deve ser redobrada:
- Histórico familiar: A genética é o fator mais preponderante nas varizes.
- Profissão: Pessoas que passam muito tempo em pé ou sentadas (comerciantes, professores, profissionais de escritório).
- Gestações prévias: As alterações hormonais e o peso do útero dificultam o retorno venoso.
- Sedentarismo e Obesidade: A falta de fortalecimento da musculatura da panturrilha (nosso “segundo coração”) prejudica o bombeamento do sangue.
Prevenção e Cuidados Diários
Enquanto você agenda sua avaliação com um especialista, existem medidas que podem ajudar a aliviar os sintomas e proteger a pele pigmentada:
1. Hidratação Intensa: A pele com dermatite ocre é extremamente seca. Use cremes neutros e potentes diariamente para evitar fissuras.
2. Elevação das Pernas: Sempre que possível, eleve as pernas acima do nível do coração por 15 a 20 minutos para ajudar o sangue a voltar.
3. Meias de Compressão: Elas são grandes aliadas, mas devem ser prescritas por um médico vascular, pois a pressão errada pode ser prejudicial.
4. Movimente-se: Caminhadas leves ou exercícios de ponta de pé ajudam a ativar a bomba da panturrilha.
Não espere a ferida aparecer
Muitos pacientes chegam ao consultório quando a mancha já virou uma ferida. O tratamento preventivo é sempre mais simples, menos doloroso e esteticamente mais satisfatório. As manchas escuras são o corpo avisando que o limite elástico das suas veias foi ultrapassado.
O conceito de “Consulta sem pressa” que pratico visa justamente ouvir sua história, entender seus medos e explicar, olho no olho, o que está acontecendo. A tecnologia, como o Doppler e o Laser, são ferramentas, mas o cuidado humano é a base do tratamento.
Se você mora ou trabalha no ABC, próximo à Rua das Figueiras ou Alameda São Caetano, e busca uma solução definitiva para essas alterações na pele, convido você a agendar sua avaliação. Vamos investigar a fundo a sua circulação e planejar o melhor caminho para restaurar a saúde das suas pernas.
Não deixe que a vergonha das manchas impeça você de viver plenamente. Cuide de você.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. As manchas escuras nas pernas podem desaparecer sozinhas?
Não. As manchas são depósitos de ferro na pele causados pela má circulação. Sem tratar a causa (as veias doentes), elas tendem a aumentar e escurecer, podendo evoluir para feridas.
2. Qual é a diferença entre manchas de idade e Dermatite Ocre?
Manchas de idade (senis) são geralmente causadas pelo sol e afetam a camada superficial. A Dermatite Ocre ocorre nos tornozelos/pernas, é causada por insuficiência venosa e vem acompanhada de inchaço ou varizes.
3. O tratamento para clarear a pele funciona sem cirurgia vascular?
Cremes clareadores têm pouco efeito se a veia continuar “vazando” sangue e ferro na pele. O ideal é tratar o problema vascular primeiro para estancar a causa, e depois tratar a pigmentação.
4. O ultrassom Doppler é necessário para diagnosticar essas manchas?
Sim. O Doppler é essencial para mapear quais veias (safenas, perfurantes ou profundas) estão causando a hipertensão venosa que gera a mancha. Dr. André Américo realiza este exame durante a consulta.
5. O tratamento a laser dói muito?
Não. Os tratamentos modernos, como o Laser Endovenoso e Transdérmico, são minimamente invasivos, realizados com anestesia local ou sedação leve, permitindo recuperação rápida e muito menos desconforto que a cirurgia convencional.