Por Dr. André Américo
Você segue a dieta à risca, frequenta a academia religiosamente e vê os números na balança diminuírem. Seu rosto afina, a cintura diminui, e as costelas até começam a aparecer. No entanto, do quadril para baixo, nada muda. Suas pernas continuam grossas, pesadas e, muitas vezes, doloridas ao toque.
Esse cenário é exaustivo e gera uma frustração imensa. Muitas mulheres passam anos ouvindo que precisam “fechar mais a boca” ou “treinar mais pesado”. Mas, se você se identifica com a descrição acima, a chance de você estar lutando contra uma doença inflamatória e não contra a balança é enorme.
Estamos falando do Lipedema. Frequentemente confundido com obesidade ou “celulite forte”, o Lipedema é uma condição médica séria que exige diagnóstico especializado, e não julgamento. Como Cirurgião Vascular no ABC Paulista, recebo diariamente pacientes que buscam entender: “Afinal, doutor, o que eu tenho?”. Vamos esclarecer essas diferenças agora.
O Que Diferencia o Lipedema da “Gordura Comum”?
A confusão é compreensível, mas biologicamente, a gordura do Lipedema se comporta de maneira muito diferente da gordura da obesidade. Entender esses sinais é o primeiro passo para buscar o tratamento certo.
1. A Desproporção Corporal
O sinal mais clássico é a desproporção visual. Na obesidade comum, o ganho de peso tende a ser generalizado (distribuído por todo o corpo). No Lipedema, o acúmulo é concentrado nos membros inferiores (quadril, coxas e panturrilhas) e, às vezes, nos braços. O tronco geralmente permanece magro. É comum a paciente vestir um tamanho na blusa e outro, muito maior, na calça.
2. O “Sinal do Manguito”
Essa é uma característica chave. No Lipedema, o acúmulo de gordura costuma descer pelas pernas e parar bruscamente nos tornozelos, criando uma espécie de “borda” ou “manguito”. Os pés, curiosamente, permanecem magrinhos e sem inchaço (a menos que haja linfedema associado, o que explicarei adiante).
3. Dor e Sensibilidade
Gordura comum não dói. Gordura de Lipedema dói. As pacientes relatam uma dor ao toque nas pernas que não é normal. Esbarrar na quina da mesa gera uma dor desproporcional e hematomas (roxos) aparecem com facilidade, muitas vezes sem que a pessoa se lembre de ter batido.
4. A Textura da Pele (Diferença para Celulite)
Enquanto a celulite é uma alteração mais superficial e estética, o Lipedema apresenta nódulos de gordura palpáveis abaixo da pele. Ao passar a mão na coxa, a sensação pode ser de tocar em “saquinhos de feijão” ou pequenas bolinhas endurecidas. Isso indica um processo inflamatório crônico.
Por Que Consultar um Cirurgião Vascular?
Muitas pacientes questionam: “Se é gordura, por que devo procurar um vascular e não um endocrinologista ou cirurgião plástico direto?”.
A resposta está na complexidade da doença. O Lipedema não afeta apenas o tecido adiposo; ele prejudica a microcirculação. A inflamação constante comprime os pequenos vasos sanguíneos e linfáticos, causando inchaço (edema) e sensação de peso.
Além disso, é muito comum que o Lipedema venha acompanhado de varizes. Tratar a estética sem avaliar a circulação é um erro grave. Se as veias não estiverem funcionando bem, o inchaço piora, a dor aumenta e qualquer procedimento cirúrgico futuro (como a lipoaspiração) se torna mais arriscado.
O Papel do Ultrassom Doppler no Diagnóstico
No meu consultório, a tecnologia é uma extensão do exame físico. Não me baseio apenas no “olhômetro”.
Utilizo o Ultrassom com Doppler Vascular durante a consulta para:
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Mapear a Circulação: Verificar se há insuficiência venosa (varizes) que precisa ser tratada antes ou junto com o lipedema.
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Identificar o Tipo de Edema: Diferenciar se o inchaço é apenas acúmulo de gordura (lipedema puro) ou se já existe comprometimento linfático (lipedema + linfedema).
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Avaliar a Gordura: O ultrassom nos permite ver a espessura e as características do tecido adiposo subcutâneo, confirmando o diagnóstico com precisão.
Tratamento: Existe Luz no Fim do Túnel
O mais importante é saber que Lipedema tem tratamento. Ele não tem cura definitiva (é uma condição crônica), mas tem controle.
Uma vez feito o diagnóstico correto, podemos traçar um plano que envolve desde terapias conservadoras (mudança alimentar anti-inflamatória, uso de meias de compressão específicas, exercícios aquáticos) até intervenções cirúrgicas especializadas para a remoção da gordura doente, quando indicado.
O objetivo não é apenas estético. É parar a progressão da doença, aliviar a dor nas pernas e devolver sua mobilidade.
Uma Investigação Detalhada em Santo André
Se você se reconheceu nos sintomas descritos acima e mora na região do ABC Paulista, convido você a parar de lutar sozinha contra sintomas que você não entende.
No meu consultório, próximo à Alameda São Caetano e ao Bairro Jardim em Santo André, ofereço uma abordagem de “consulta sem pressa”. Entendo que o diagnóstico de Lipedema envolve anos de dúvidas e sofrimento, por isso, dedico o tempo necessário para ouvir sua história e realizar o exame de Ultrassom na hora.
Não aceite viver com dor ou vergonha das suas pernas achando que “é assim mesmo”. Vamos investigar a fundo e definir o melhor caminho para a sua saúde vascular e bem-estar.
Está na hora de ter respostas. Agende sua avaliação e descubra como cuidar do seu corpo da maneira correta.
Dr. André Américo Cirurgião Vascular e Endovascular | Especialista em Ecografia Vascular CRM-SP 169.895 / RQE 94388